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Luz Ultravioleta. Soa bonito. Envelhecimento
precoce: feio. Câncer de pele. Muito pior. O que têm
estas palavras em comum? O sol. Acho que todo
mundo sabe desta correlação, mas nem todos se preocupam
com ela. |
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Ninguém
quer ficar muito tempo longe do sol. Ninguém gosta de
ter um céu sempre nublado. Há os que se sentem
deprimidos quando os dias passam assim. Todos aplaudem o
verão. O brasileiro especialmente tem o seu lado
tropical na alma. Aliás, todos os homens em todos os
tempos veneraram o sol que, para alguns povos, era deus.
O sol responsável pela vida na terra faz, com sua luz
visível, crescer as plantas, crescer os fitoplanctos no
mar. E com isto produzir vida vegetal, oxigênio,
alimentos e, por conseqüência, vida animal. Estamos aqui
só por causa do sol. Por causa do sol, ficam os
astrônomos a procura de outros planetas – um corpo
celeste girando em torno de uma estrela – porque seria
num outro lugar assim que poderia existir vida. Vida –
este misterioso, maravilhoso, raro, senão único
acontecimento em milhões de galáxias, não
necessariamente explicado pela crença em deuses, mas com
certeza pela crença nos fenômenos
estelares. |
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Neste
ponto é até simples: as estrelas são magníficas usinas
de energia e matéria resultantes de um fenômeno bem
conhecido – a fusão nuclear. Nelas formam-se elementos
maiores, mais pesados, a partir do elemento mais simples
da natureza, um gás levíssimo – o hidrogênio cujo
nome lhe foi dado porque gera água ao se combinar com o
oxigênio. |
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Muito bem, é a fusão
nuclear que cria os pesados e complexos elementos como
carbono, ferro, oxigênio e tantos outros,
imprescindíveis à vida que, ao se combinarem, resultam
moléculas simples mas essenciais como a água e bilhões
de outras e, por obra dos seres vivos, moléculas
complexas como os carboidratos, gorduras, proteínas. |
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Quisemos
dizer tudo isto apenas para voltarmos ao sol, para
lembrarmo-nos, poética e efetivamente, que somos, em
última análise, o produto de fornos estelares! O
resultado da luz e da fusão nuclear no sol e de talvez
de outros distantes sóis. |
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Pois bem,
o sol criador de matéria da vida e fonte da maravilhosa
luz visível, aquela que obviamente nos faz ver, luz que
é fundamental para o estímulo ao nosso sistema
imunológico e para a resistência dos ossos - tem também
perigosas e invisíveis luzes – a infravermelha – que
causa queimaduras e a ultravioleta que dá câncer de pele
e envelhece. Elas estão presentes, inclusive, nos dias
nublados, e em algumas luzes artificiais como as das
lâmpadas fluorescentes. |
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E nos olhos? |
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- A luz ultravioleta
pode causar degeneração macular, doença da parte mais
importante da retina (aquela responsável pela visão de
detalhes e de cores), que não tem tratamento efetivo e,
lesão nas lentes oculares: |
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- Na
córnea a exposição inadequada ao sol provoca-nos
uma afecção muito desconfortável e comum, com sensação
de areia, olhos vermelhos e intolerantes à luz -
irritados, como se diz. E também o pterígio,
aquela membrana avermelhada, feia, que sai do canto do
olho, começa a cobrir a córnea e causa distorção
importante nesta refinada lente. |
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- No
cristalino o prejuízo é maior: catarata –
a nossa magnífica lente intra-ocular perde, com a
prolongada exposição à luz ultravioleta, o seu caráter
mais peculiar e que lhe deu o seu bonito nome e se torna
manchado, às vezes opaco e é a maior causa de cegueira
no mundo (reversível, com cirurgia). Está comprovado que
a incidência de catarata é seis vezes maior nas
pessoas expostas sem proteção à luz
ultravioleta. |
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Usemos
pois, proteção solar: filtros para pele, chapéu, boné,
óculos de sol. Entretanto, nem todos os óculos escuros
têm filtro antiluz ultravioleta (filtro 100% UV). É
perigoso comprar quaisquer óculos escuros (desses
vendidos na rua, em particular) porque se eles não têm a
camada filtrante Anti-UV, seria menos prejudicial se
expor à luz com os olhos nus porque, ao se fecharem as
pupilas, diante do ambiente claro, estará introduzida
uma proteção natural que minimiza a quantidade de luz UV
que atinge o interior dos olhos. |
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Se o uso
de óculos solares é corriqueiro, seja pelo conforto e
proteção que oferecem, seja por uma questão fashion (como gostam de falar os deslumbrados com
estrangeirismos), não nos esqueçamos jamais de proteger
também os olhos das crianças, muito mais sensíveis à luz
UV do que os adultos, por dois motivos: o cristalino nas
crianças filtra menos essas radiações e elas estarão
naturalmente muito mais tempo expostas aos seus efeitos
deletérios cumulativos. |
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Por
fim uma questão crucial: como saber se determinados
óculos têm realmente um bloqueio UV? É evidente que uma
etiquetazinha pregada na lente não garante nada e,
infelizmente, óticas conhecidas e marcas de renome não
asseguram esta qualidade. |
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Um
equipamento que mede o percentual filtrante de uma lente
e de qual radiação, que seria ideal para o comerciante
de óculos é o espectro-radiômetro. Mas como isto
é raro no Brasil, a gente acaba se conformando com a
apenas subjetiva sensação de conforto e proteção que
lentes de qualidade oferecem. E com a ausência de sinais
clínicos oftalmológicos de
foto-agressão. |
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Mas
como é que se pode ficar com a cor que só o sol nos dá?
Acho que você está querendo lembrar-se da palavra que
vem de um costume tão velho quanto o uso daquela liga
metálica que, antes do alumínio, do aço inoxidável, do
titânio e do plástico estava em todos os objetos e que
desde aquele tempo empresta seu nome para definir uma
bela cor humana – o bronze. Infelizmente, meus amigos,
bronzeado não é mais fashion. |
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Texto: Dr.
Matta Machado |
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