ARTIGOS

* Todos os artigos são de autoria do Dr Matta Machado


O Sol e a Visão

Luz Ultravioleta. Soa bonito. Envelhecimento precoce: feio. Câncer de pele. Muito pior. O que têm estas palavras em comum? O sol. Acho que todo mundo sabe desta correlação, mas nem todos se preocupam com ela.

Ninguém quer ficar muito tempo longe do sol. Ninguém gosta de ter um céu sempre nublado. Há os que se sentem deprimidos quando os dias passam assim. Todos aplaudem o verão. O brasileiro especialmente tem o seu lado tropical na alma. Aliás, todos os homens em todos os tempos veneraram o sol que, para alguns povos, era deus. 

O sol, responsável pela vida na terra, faz com sua luz visível, crescer as plantas, crescer os fitoplanctos no mar. E com isto produzir vida vegetal, oxigênio, alimentos e, por consequência, vida animal. Estamos aqui só por causa do sol. Por causa do sol, a nossa estrela, ficam os astrônomos a procura de outros planetas – corpos celestes girando em torno de uma estrela – porque seria num outro lugar assim que poderia existir vida.

 Vida – este misterioso, maravilhoso, raro, senão único acontecimento em milhões de galáxias, não necessariamente explicado pela crença em deuses, mas com certeza pela crença nos fenômenos estelares.

Neste ponto é até simples: as estrelas são magníficas usinas de energia e matéria, resultantes de um fenômeno conhecido – a fusão nuclear. Nas fusões nucleares formam-se elementos maiores, mais pesados, a partir do elemento mais simples da natureza,um gás levíssimo – o hidrogênio cujo nome lhe foi dado porque gera água ao se combinar com o oxigênio.

Muito bem, é a fusão nuclear que cria os pesados e complexos elementos como carbono, ferro, oxigênio e tantos outros, imprescindíveis à vida que, ao se combinarem, resultam moléculas simples mas essenciais como a água e bilhões de outras e, por obra dos seres vivos, moléculas complexas como os carboidratos, gorduras, proteínas, enzimas RNA e DNA.

Quisemos dizer tudo isto apenas para voltarmos ao sol, para lembrarmo-nos, poética e efetivamente, que somos, em última análise, o produto de fornos estelares! O resultado da luz e da fusão nuclear no sol e de talvez de outros distantes sóis.

Pois bem, o sol criador do material da vida e fonte da maravilhosa luz visível, aquela que obviamente nos faz ver,  sol que nos traz luzes essenciais  à síntese de um hormônio - a vitamina D - necessária à aborção do cálcio. Cálcio que dá resistência aos ossos. Vitamina  D também muito importante  para o funcionamento perfeito do sistema imunológico. Sistema   que nos protege contra infecções (inclusive contra certos tipos de câncer).

 Mas o sol tem também perigosas e invisíveis luzes  - a infravermelha  - que causa queimaduras e a ultravioleta que dá câncer de pele e a envelhece, por destruir o colágeno. Essas radiações  existem inclusive nos dias nublados. Radiações ultravioletas também são emitidas por certas luzes artificiais. 

Vamos agora ao sol nos olhos:

A exposição exagerada  ao sol provoca na conjuntiva e na córnea uma afecção muito comum e desconfortável:   intolerância  à luz,   sensação de areia, olhos  vermelhos. Fala-se então em irritação ocular.

Mas pode ocasionar um pterígio, (do grego, pequena asa), essa membrana avermelhada, muito feia, que sai do canto do olho, começa a cobrir a córnea e causa distorção nesta refinada lente.

Sobre o cristalino o prejuízo é maior: catarata – a nossa magnífica lente intra-ocular perde, com a prolongada exposição à luz ultravioleta, o seu caráter mais peculiar e que lhe deu o seu bonito nome. Torna-se  manchado, às vezes opaco. É a maior causa de cegueira no mundo (reversível, com cirurgia). 

Está comprovado:  a incidência de catarata é seis vezes maior nas pessoas expostas, sem proteção à luz ultravioleta.

A luz ultravioleta pode ainda causar degeneração macular, doença da parte mais importante da retina (aquela responsável pela visão de detalhes e de cores), que não tem tratamento efetivo. 

Usemos pois, proteção solar: filtros para pele, chapéu, boné, óculos de sol. 

Entretanto, nem todos os óculos escuros têm filtro anti luz ultravioleta (filtro 100% UV). 

Pode ser perigoso comprar quaisquer óculos escuros (desses vendidos na rua) porque, se eles não tiverem a camada filtrante Anti-UV, mais luz UV penetra nas pupilas.

Menos prejudicial seria se expor à luz com os olhos nus porque, num ambiente claro, ao se fecharem as pupilas, estará introduzida uma proteção natural que minimiza a quantidade de luz UV que atinge o interior dos olhos.

Aqui uma questão crucial: como saber se determinados óculos têm realmente um bloqueio UV? É evidente que uma etiquetazinha pregada na lente não garante nada e, infelizmente, óticas conhecidas e marcas de renome não asseguram esta qualidade. O espectro-radiômetro, equipamento que mede o percentual de luz  filtrada por uma lente e de qual radiação,  deveria ser obrigatório às óticas.

 Também a normatização de lentes deveria estar a cargo do INMETRO.  Mas isto, infelizmente  não existe por aqui. 

Contam os oftalmologistas com seus  exames às  lâmpadas de fenda (biomicroscópio).   Lá, os sinais clínicos oftalmológicos de foto-agressão podem  ser detectados.

Se o uso de óculos solares é corriqueiro, seja pelo conforto e proteção que oferecem, seja por uma questão fashion (como gostam de falar os deslumbrados com estrangeirismos), não nos esqueçamos jamais de proteger também os olhos das crianças, muito mais sensíveis à luz UV do que os adultos, por dois motivos: o cristalino nas crianças filtra menos essas radiações e elas estarão naturalmente muito mais tempo expostas aos seus efeitos deletérios cumulativos.  

Mas como é que se pode ficar com a cor que só o sol nos dá?

 Acho que você está querendo agora  lembrar-se da palavra que vem de um costume tão velho quanto o uso daquela versátil e resistente  liga metálica que, antes do alumínio, do aço inoxidável, do titânio e do plástico estava em todos os objetos e que desde aquele tempo empresta seu nome para definir uma bela cor humana – o bronze.

 Infelizmente, meus amigos, bronzeado não é mais fashion.


Óculos, Lentes de Contato ou Cirurgia Refrativa?

Abandonar os óculos é uma decisão que envolve motivos de ordem social, pessoal e prática.

A apreciação estética e o desejo de tornar-se mais jovem, aos olhos de todos e de si, são um desses grandes motivos.

O aumento do campo visual, a visão nítida para perto, longe e meia distância, conseguida sem as posições forçadas dos olhos, da cabeça, do pescoço e do tronco - posturas típicas de quem usa óculos, a percepção dos objetos em seu tamanho real, e a instantânea nitidez, independente de acessórios externos, são vantagens de ordem prática, que premiam aquelas pessoas que não precisam mais de óculos.

Há somente uma forma realmente segura de abandonar os óculos e enxergar bem: usar lentes de contato.

A opção por cirurgias refrativas, mesmo que se obtenha um resultado favorável, ainda não é uma escolha inteligente pelos seguintes motivos:

  • Previsibilidade;
  • Estabilidade;
  • Complicações.

As lentes de contato, além de não oferecerem aqueles riscos, ter um baixo custo, serem de uso prolongado ou quase permanentes (semanas ou meses de uso ininterrupto), podem mudar a cor dos olhos. Funcionam também como uma barreira ou escudo contra algum objeto que vá tocar nos olhos. 

Há, sobretudo, uma extraordinária e singular vantagem, relacionada a lentes de contato. Alguma coisa que tem a ver com o direito de ir e vir, com a livre escolha. É a sua liberdade: você sempre poderá livrar-se de uma lente que lhe esteja dando problema. Ao contrário de uma cirurgia de miopia, o uso de lentes de contato jamais se torna uma situação irreversível.


Porque não Permanecer Continuamente com Lentes Gelatinosas

O intervalo de tempo entre retiradas das lentes de contato  para sua limpeza e descanso ocular, deve ser dosado  em função não só da tolerância pessoal ao uso prolongado destas lentes com também da avaliação oftalmológica. 

Usadas por vários dias continuamente, começam a alterar a córnea, prejudicando a sua fisiologia. O mecanismo é o seguinte: a córnea, a principal lente do olho (de uns 44 graus, em média), para ser transparente, não pode ter vasos sanguíneos. Mas ela precisa de muito oxigênio inclusive para que se possa manter totalmente transparente – retira-o da lágrima – rica em oxigênio,enquanto estamos acordados – e dos vasos superficiais das pálpebras, durante as horas do sono. Colocamos então sobre a córnea uma lente de contato. Como ela respira agora? Pela mesma lágrima rica em oxigênio de dia, que circula debaixo da lente. E durante o sono? Começa a ficar difícil, se existe entre os vasos das pálpebras e a córnea, uma barreira, que é a superfície da  lente.

Tanto melhor será a lente quanto menos barreira à passagem dos gazes (oxigênio, gás carbônico etc.) ela oferece. Daí falar-se em lente gás-permeável. Atualmente, a melhor lente de contato gelatinosa disponível no mundo não é suficientemente permeável aos gazes para uma respiração noturna completa da córnea.

Quando se estabelece um tempo máximo de uso contínuo pretende-segarantir a saúde ocular.

Uma córnea que passa dias sem repouso, mal oxigenada à noite, começa a apresentar umas bolhinhas em sua superfície, resultado de um aumento na espessura (edema); a lente vai ficando impregnada e pode conter bactérias às vezes agressivas à córnea (as lentes gelatinosas são um bom meio de cultura para bactérias – daí a necessidade  de esteriliza-las com frequência) e por fim, a hipóxia crônica (má oxigenação de um  tecido celular), leva a uma baixa da defesa imunológica.

Ao se juntarem todos os fatores – as bolhinhas rompem-se, as bactérias colonizadoras da lente invadem a córnea, esta já sem defesa começa a ser destruída pelas bactérias - surge um enorme perigo: úlcera de córnea que, senão tratada a tempo pode levar à cegueira.   

Portanto: durma de lentes no máximo duas noites consecutivas, retirando-as para esterilização por 8 horas após este período.

Dê um alarme e procure assistência oftalmológica se sentir fotofobia, dor, lacrimejamento ocular que são os primeiros sintomas de uma lesão corneana.

Nota: só há um tipo de lente para uso contínuo: RGP de alto DK (rígida gás permeável).

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